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Mostrando postagens de julho, 2018

Adoção não é caridade

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       Uma coisa que escuto quase sempre que conto para alguém que estou adotando uma criança é:” Nossa, que gesto maravilhoso!”, “Parabéns pela iniciativa!” ou outros comentários que levam a entender que estou fazendo uma caridade, uma boa ação. Na verdade, acho muito importante explicar que adoção não é caridade. A pessoa que adota não está fazendo uma boa ação como a de quem distribui cestas básicas ou ajuda moradores de rua. A adotante está tendo um filho. A criança adotada está realizando o sonho da mãe. As duas estão tendo “boas ações”: a mãe porque se doa e muda toda a vida para cuidar do filho, e este, porque realizou o maior sonho da mãe. É uma via de mão dupla.          Talvez muitos não saibam, mas o processo de adoção até a habilitação para adotar é extremamente longo e burocrático. São listas de documentos atualizados, fotos de cada ambiente da casa com as descrições, laudos de sanidade física e mental, atestad...

Nem tudo são flores

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  Hoje quero falar do medo. Sim, o medo que arrebenta o coração de vez em quando. Sei que mulheres grávidas têm medo: do parto, de o bebê ter algum problema no nascimento, mas o medo da adotante é diferente; não temos medo de a criança ter alguma doença, porque já escolhemos isso no perfil. Sabemos que sempre pode acontecer, mas esse se torna nosso menor problema. Temos medo de todo o resto, medo de ficar doente e de a juíza não entregar os nossos filhos. Isso é muito difícil de assimilar, porque no coração da gente, a criança já existe e já é nossa. Estamos apenas a espera que a juíza   nos devolva o que sempre foi nosso; medo de demorar muito tempo e o corpo e a mente não aguentarem, a mente principalmente, porque a cada dia de espera, ela se perde um pouco mais, chega um momento em que já não sabemos mais há quanto tempo esperamos, nem o que temos pela frente. Medo de estar perto de um bebê, sei que esse parece o medo mais absurdo de todos, mas não, é bem real. Quando est...

Marta, a psicóloga

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Conforme  prometido, segue o e-mail que a minha mãe mandou para a Marta (psicóloga do processo) logo após o encontro que teve com ela e em seguida a resposta que a Marta mandou em forma de um bilhete para Maria. Marta Cristina Ikeda Gondo, nunca vou ser capaz de te agradecer o suficiente, isso foi sem dúvida a coisa mais emocionante que já li na vida....Obrigada sempre !!! Tudo tem o seu tempo determinado, há tempo para todo propósito debaixo do céu",  diz o texto sagrado.     Marta, sou Ana, a mãe de Veridiana e como comentei no dia em que aí estive, gosto de escrever e sempre escrevo para nunca esquecer.     É exatamente o que faço agora, um registro, que passem quantos anos forem, "Maria" saberá deste momento tão maravilhoso da história dela.     Sabe Marta, quando precisamos de um serviço público, sempre ficamos apreensivos, pois partimos do princípio que não vai funcionar (coisa triste né?), contudo...algumas vez...